Soncent ta kanhambra!

15:53


foto: Nuno André Monteiro



Soncent ta kanhambra! - disse uma ilustre amiga minha, ao termos uma breve conversa sobre a situação cultural, sobretudo do teatro do Mindelo.

O facto é que neste momento os grupos mais conhecidos da praça estão quase todos a "descansar". Não se fala em projectos e menos em ensaios. O Atelier Teatrakácia parece ter desaparecido há algum tempo, vendo um dos seus grandes actores actuar mais para o Grupo de Teatro do Centro Cultural Português, cujo mentor está em Portugal a estudar. A SARRON.COM tem vários elementos a estudar, espalhados pelas várias instituições e universidades de São Vicente, enquanto que outros se vêm detidos pela teia da vida profissional ou familiar, a Companhia de Teatro Solaris revelou-se incapaz perante a ausência do seu Guru Herlandson (Kutch) e o TIM, um dos grupos que revela ser dos mais unidos na cena teatral mindelense deve estar em período de reflexão ou pré-produção.

Quem são os grupos sobreviventes?
O Grupo do Centro Cultural do Mindelo, que tem por trás a Josina Freitas, e que será o único grupo a representar Cabo Verde no FESTLIP este ano (acho que mesmo antes dos resultados já deviam saber da notícia), o Grupo de Teatro Craq'Otchod com um trabalho diferente e que ainda rema contra a maré o Grupo dos Alunos do Liceu José Augusto Pinto (onde há projectos de excelentes actores), e outros que surgem ou continuam a fazer um trabalho que algum dia parará por razões profissionais, académicas ou familiares.

Essa luta para que o teatro no Mindelo continue de pé é bastante injusta. Senão vejamos:

1. Há apenas um grupo com um local ideal para ensaios - o Grupo de Teatro do Centro Cultural do Mindelo - no Centro Cultural do Mindelo, incluindo o palco (diga-se de passagem, um espaço pelo qual todos nós que fazemos teatro e também somos contribuintes pagamos), enquanto outros grupos procuram desesperadamente um espaço para ensaiar;

2. Não há apoios nem incentivos e muito menos condições logísticas para que os grupos façam um bom trabalho (apenas o fazem por amor à arte);

3. Há um Festival Internacional de Teatro (graças a Deus) que é uma autêntica escola de teatro e de convivência, mas os grupos nacionais ou mesmo locais revelam-se impotentes para realizar um certame como o "Março Mês do Teatro";

4. Há um Curso de Iniciação Teatral que já sabe a muito pouco mas, mesmo assim e ignorando a sua procura, há quem queira ver seu desaparecimento definitivo;

5. Há um reconhecimento pelo Mindelact, mas não há um reconhecimento efectivo pelo trabalho dos Grupos de teatro e pelos fazedores de teatro (a não ser pelo próprio Mindelact e pelos próprios colegas de teatro);

6. Não há e nem parece que venha a existir nos próximos tempos projectos no sentido de desenvolver o teatro nesta ilha de actores, nomeadamente ignorando que precisa-se urgentemente de uma sala de espectáculos condigna com espaços para ensaios e formação;

7. Não há uma aposta na Educação para a Cultura (o que poderia começar na instrução primária e terminar no ensino universitário).

Fora o Teatro, não se fala muito em bons concertos musicais como se via há poucos anos atrás, a cultura cinematográfica soluça por alguma coisa, mas de forma impotente (afinal nem uma sala de cinema temos) e sai governo entra governo há sempre uma grande preocupação em desenvolver a Cultura na Ilha de Santiago (de louvar) em detrimento da de São Vicente (de lamentar).

Alguém já tinha dito que essa de São Vicente ser a "Capital da Cultura" era algo ultrapassado. Tirando a nossa vontade e a nossa forma natural de viver a cultura e a arte, daria agora razão ao fulano.

São Vicente saiu do marasmo para entrar numa decadência a pico.

A exagerar, eu?

Prestem atenção nos próximos capítulos dessa série macabra!

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