Ser pedinte é uma profissão séria

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Faço minhas as palavras do Abraão Vicente - "Este país é mesmo interessante".

O facto é que tenho constatado que o acto de pedir nas ruas do mindelo vem se transformando num emprego bastante sério. Há pessoas que se vestem razoavelmente bem, saem de casa relativamente cedo e posicionam-se estrategicamente em certas zonas e ficam a pedir dinheiro a pessoas que por aí passam. Acredito que muitas dessas pessoas poderiam estar a trabalhar (num ramo diferente). O que quero dizer é que a maioria dessas pessoas já encararam essa acção como um trabalho sério e os lugares em que se posicionam como seu posto de trabalho. O diabo é que têm a chance de serem mais influentes do que nós que por elas passamos, uma vez que já conhecem muita gente influente, inclusive, muitos dos nossos passos e nossas vidas.

Muitos já se profissionalizaram nas lides da lábia e têm as mais variadas razões para pedir, usando os mais variados meios. Posso exemplificar com o caso de uma senhora que anda sempre com uma receita e que, segundo minhas contas, já deve ter esgotado todas as farmácias desta cidade.

O grande problema é que muita gente se chateia com a situação e a ajuda que podiam reservar aos que realmente necessitam já foi para as cucuias. Contudo, cada um tem seu destino e suas oportunidades e a vida está custando o nosso corpo inteiro. Há que saber aproveitá-las.

Se há instituições especializadas em apoiar pessoas com dificuldades, é melhor que apoiemos essas instituições e não fiquemos com a dor de consciência que o fizémos a outras pessoas, erradamente, enquanto não há quem apoie a nós. Afinal os pedintes não pagam impostos e nem Previdência Social.

Parafraseando Agildo Ribeiro: "Vai trabagundo, ó vagalhado!"

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